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Para ler japonês é preciso ter gana

Para ler japonês é preciso ter gana

Para ler japonês é preciso saber 3 tipos de escrita diferentes: Hiragana, Katakana e Kanji.

Os dois primeiros são silabários de 46 fonemas cada, que são a base da língua japonesa.

O Hiragana surgiu por volta de 749 D.C e 1185 D.C, o período Heian. Pensa-se que surgiu de uma simplificação de Kanji, feita pelas princesas da corte, para escrever nos seus diários.
Pela mesma altura (mais ou menos 800 D.C) o monge Kûkai também conhecido postumamente como Kôbô-Daishi, inventou o silabário Katakana. Servia para decifrar os sons dos Kanji.

E depois há os Kanji, que foram introduzidos no Japão por volta do século V juntamente com o Budismo como forma de escrita, embora haja indícios de os japoneses terem tido contacto com este caracteres desde 57 A.D. que vinham gravados em selos ou armas. Antes disso o Japão não tinha um sistema de escrita unificado e sistemático.

Estes três sistemas de escrita conjugam-se entre si e dão forma gráfica ao Japonês moderno.

Japonês é uma língua encantadora, mas difícil de aprender.

Uma frase em japonês pode conter os três tipos de caracteres e, se soubermos o que estamos ler, o uso de cada tipo facilita a compreensão.

Os Hiragana, numa frase servem para identificar pronomes, terminações verbais e adjectivos e para palavras para as quais não exista Kanji.
Os Katakana, numa frase referem-se a elementos estrangeiros ou científicos.
Os Kanji, numa frase normalmente referem-se a nomes, substantivos, verbos e até adjectivos mas estes últimos precisam de terminações em Hiragana para definirem em que tempo e modo estão.

O Hiragana e Katakana são os primeiros a ensinar, porque são como o nosso abecedário, cada caractere representa um fonema, e com os 46 básicos consegue-se falar e ler japonês.
Os Kanji ensinam-se mais tarde e gradualmente até aos 2136 que fazem parte do plano do Ministério da Educação japonês. A leitura de sons dos Kanji podem ser transcritos em Hiragana: neste caso chama-se Furigana.
Como podem ver saber somente Hiragana não chega, é preciso ter gana para aprender.

 

Kanji não é nada canja

Não há certeza da quantidade de Kanji que existem ( são mais de 40.000 ) mas mesmo aprender o mínimo para ler no quotidiano não é nada canja.

Kanji é uma aproximação do termo Hanzi que quer dizer caracteres de Han.
Han são uma etnia chinesa que compõem 90% da população atual da China.
Zi é caractere em Chinês.

Inicialmente apareceram na China há 5.000 anos onde eram gravados em carapaças de tartaruga e deitados em fogueiras como forma de previsão de resultados e estratégias de batalhas e de colheitas. Eram por isso chamados de ossos de Oráculos.

Pensa-se que tenha sido pela dificuldade em fazer gravações curvas nas carapaças que os Kanji tenham uma forma tão rectilínea.

Como já referi, chegaram ao Japão muitos anos mais tarde inscritos em armas, presentes, e em selos tais como o do Imperador Guanwu da Dinastia de Han em 57 A.D.

Foram assimilados pela cultura mas só por volta do século V, com a chegada do Budismo, é que se começou a adaptar aos sons Japoneses.
Era comum escrever-se os Kanji pelo seu som Chinês (on-yomi) e não pelo seu significado.
Por exemplo: 山 é o caractere de montanha e tem o nome On-yomi de san mas o nome japonês (Kun-yomi) é actualmente de yama. No entanto registos antigos de poesia do século VIII podemos encontrar a palavra yama escrita como 夜 麻 em que o primeiro caractere quer dizer noite mas tem a leitura on-yomi de Ya, e o segundo caractere quer dizer linho ou cânhamo mas a leitura On-yomi é de Ma.

 

Aprender Kanji não é para qualquer Kun

Hoje em dia os kanji têm duas pronúncias diferentes, que já referi, a On-yomi e a Kun-yomi e regra geral usa-se a leitura On-yumi (som chinês) quando acompanhado de outros Kanji fazendo palavras ou mesmo frases compostas e a leitura Kun-yomi (som japonês) é interpretado quando isolado. Claro que há excepções. Não pensavam que fosse assim tão fácil!

Por exemplo:
学 quer dizer estudar, isolado lê-se Manabu ou Jôyô
力 quer dizer força ou potência, isolado lê-se Chikara
mas quando usados em conjunto dão resultados diferentes como:

学力 quer dizer sucesso académico, lê-se gakuryoku
e basta mudar a ordem dos mesmos Kanji que já dizemos outra coisa completamente diferente:

力学 quer dizer dinâmica ou mecânica e lê-se rikigaku

Como se vê os sons e significados variam de acordo se estão isolados ou acompanhados por outros Kanji e a ordem destes.

Para além disso os Kanji podem se dividir em quatro grandes tipos:

Pictogramas - representações de objectos
Ideogramas - representações de ideias
Pictogramas compostos - representação de objectos que juntos compõem uma palavra nova
Ideográficos/Sonoros compostos - combinação de caracteres usados pelo seu som e outros pelo significado (aproximadamente 90% dos Kanji)

Para mim, é aqui que reside a beleza mas também a dificuldade da interpretação dos Kanji.

É gratificante quando percebemos um Kanji que é composto pela junção de um radical (simplificação de kanji que representa uma característica) e de um Kanji mais comum e que dá um resultado engraçado e lógico como 休 que quer dizer descanso ou férias e que é composto pelo radical de homem encostado a uma árvore.

Estes jogos pictóricos é o que me faz continuar a tentar aprender Kanji, e posso dizer que já consigo identificar a módica quantia de 400 Kanji ou seja estou a 1/5 do que se considera Jôyô Kanji ou seja os Kanji de uso regular.

Como sempre gostei de desenho encaro sempre como um pictionary à escala nacional em que qualquer um pode jogar, principalmente se souber os sons Kun Kanji pode ter.

 

 

AUTOR: JORGE FERRAO


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